Olá pessoas, tudo bem com vocês? Espero sinceramente que sim!

Hoje venho publicar o resultado da pesquisa O design e as agências, que foi lançada no dia 08 de Setembro de 2018 nas minhas redes sociais e em grupos sobre design. O objetivo da pesquisa foi traçar um perfil de como as agências enxergam o design e, consequentemente, os profissionais de design. Quero fazer um agradecimento especial para a galera do Designer no Divã, que gentilmente compartilhou a pesquisa e, obviamente, a todos que responderam e compartilharam. Aqui pra vocês ó:

Muito obrigada!

 

Fiquei bem triste com o resultado ao ver a quantidade de profissionais insatisfeitos nas agências que trabalham. Foi perguntado em qual agência o(a) entrevistado(a) trabalhou ou trabalha atualmente. Por motivos óbvios, omiti essa informação mas foi chocante ver que algumas agências mostram uma imagem totalmente diferente do que realmente são e da maneira que enxergam o design.

Sem mais delongas, vamos aos dados.

Dados gerais

Idade

A maioria dos entrevistados estão na faixa entre os 18 e 25 anos (47,1%). Logo em seguida, com 34,3%, estão os entre os 26 e 30 anos. 11,4% estão entre os 31 e 35 anos, 4,3% entre 36 e 40 anos e 2,9% entre 41 e 45 anos.

 

Localização

Designers de vários cantos do Brasil responderam a pesquisa (obrigada!). A maioria das respostas vieram dos paulistas, seguidos de perto pelos cariocas e pelos mineiros.

 

Gênero

Das 153 respostas obtidas, 54,3% dos designers que responderam são do sexo masculino e 45,7% do sexo feminino.

 

Áreas de atuação

Áreas de atuação citadas na pesquisa. Os dados serão descritos no texto logo abaixo

Designers das mais variadas áreas de atuação participaram da pesquisa, sendo:

92,9% – Designers Gráficos

30% – Designers de Interface

28,6% – Web Designers

21,4% – UX Designers

12,9% – Motion Designers

4,2% – Outras áreas citadas*: Direção de arte, designer de serviços e designer editorial.

*OBS: Poderia ser selecionada mais de uma opção e acrescentar opções mais apropriadas.

 

 

Os que (não) trabalham em agências

Porcentagem de designers que trabalham em agência e os que já trabalharam. mostra também o que os designers decidiram fazer ao sair da agência que estavam trabalhando

Dos designers que responderam a pesquisa, 51,4% trabalham atualmente em agências e 48,6% não trabalham mais em agências.

Os que decidiram sair, optaram por trabalhar da seguinte forma:

35,6% – Decidiram ser freelancers

31,1% – Decidiram trabalhar em empresa pública ou privada

11,1% – Decidiram trabalhar em uma agência que julgaram ser melhor

8,9% – Abriram negócio próprio

13,3% – Outras opções citadas*: foram trabalhar como gerente de projetos, foram demitidos ou iriam sair da agência na semana que responderam a pesquisa.

*OBS: Poderiam acrescentar opções mais apropriadas.

 

Foi perguntado: Se pudesse escolher, em qual agência gostaria de trabalhar?

Pergunta: Se pudesse escolher, em qual agência gostaria de trabalhar. Resposta detalhada no texto a seguir

As seis agências mais votadas foram:

África – 14,3%

Huge – 7,1%

Artplan – 7,1%

Kindle – 5,7%

M2br – 4,3%

On Marketing Digital – 1,4%

Outras citadas* – 12,7%Tátil, Ogilvy, Quartel Design, Estúdio Ícone, CP+B, DM9, INDT e ThoughtWorks.

*OBS: Poderiam acrescentar opções mais apropriadas.

 

Agora, o choque: 47,4% escolheram a opção: Se pudesse, não trabalharia mais em agências.

Ao responderem a questão (opcional) ‘Poderia dizer o motivo da escolha?’, listei algumas respostas:

“Não há boas oportunidades e o estilo de vida é meio nocivo.”

“A agência despreza o designer.”

“Muito trabalho e pouco entendimento das metodologias e processos de Design.”

“Há muito estresse, desvalorização, pagamento baixo e sobrecarga de trabalho.”

“Agências são redutos de exploração criativa e emocional.”

“Cansei da correria e dos prazos apertados.”

“Desvalorização do profissional, estética em detrimento de qualquer estratégia e experiências machistas.”

 

Para quem já trabalhou em agência, foi perguntado se voltaria a trabalhar em alguma

Para quem já trabalhou em agência, foi perguntado se voltaria a trabalhar em alguma. Eis as respostas

Os dados:

52,9% – Não, porque o ritmo das agências atualmente não valoriza o designer.

44,9% – Depende, se a agência pensar no design como estratégia e não como algo estético.

2,2% – Sim, sem pensar!

 

Para os que trabalham em uma agência, eis os fatores que mais desagradam os profissionais de design

Para os que trabalham em uma agência, eis os fatores que mais desagradam os profissionais de design

 

Creio que este é o ponto mais importante da pesquisa. Nesta questão era permitido marcar mais de uma opção e outras opções poderiam ser inseridas opcionalmente. Vamos aos dados:

86,3% – Os prazos são muito apertados e tudo é prioridade.

84,3% – Briefings mal elaborados ou inexistentes.

66,7% – Salário baixo e poucos benefícios.

64,8% – Não há investimentos em treinamentos e eventos para os designers.

52,9% – Desconhecimento do processo de design pelo Atendimento.

52,9% – Falta de feedback, principalmente os positivos.

52,9% – O restante da equipe pensa no design apenas como algo para “deixar tudo bonitinho.”

41,2% – Os designers não têm voz.

39,2% – Os computadores não possuem configuração adequada.

37,3% – Mesas e cadeiras inadequadas.

31,4% – Não há material de suporte (Ex.: papelaria, mesa digitalizadora, impressora para testes)

29,4% – Ambiente com muito barulho.

 

Foi perguntado qual o nível de visão em relação ao design da agência que trabalham atualmente

Foi perguntado qual o nível de visão em relação ao design da agência que trabalham atualmente. Seguem as respostas

Outro ponto preocupante. É impressionante como a maioria das agências ainda não se deram conta da importância dos testes e que o design deve fazer parte da estratégia. Nesta questão era permitido escolher mais de uma opção e acrescentar outras. Vamos aos dados:

52,9% – A agência ainda trabalha com “achismos”.

50% – O design é discutido apenas no aspecto visual e não estrategicamente.

41,4% – Não investem em ferramentas para analisar o comportamento do usuário (Ex.: Hotjar).

38,6% – Pensam apenas nos resultados.

25,7% – Realizam testes com usuários muito raramente.

24% – O design é discutido apenas em projetos importantes para os gestores.

14,3% – Sabem da importância do foco nas pessoas.

7,1% – Realizam testes com usuários frequentemente.

4,3% – Realizam teste de usabilidade em várias etapas do projeto.

 

Em relação ao trabalho remoto foi perguntado:

Você acha que as agências precisam de designers trabalhando presencialmente?

Em relação ao trabalho remoto foi perguntado: Você acha que as agências precisam de designers trabalhando presencialmente?

O trabalho remoto é uma boa alternativa encontrada por muitas agências para melhorar a produtividade e reduzir custos. Seguem as respostas dos designers:

64,3% – Depende, creio que deve ser negociado individualmente.

27,1% – Não, o trabalho do designer pode ser remoto e a ida à agência poderia ser apenas para reuniões, por exemplo.

8,6% – Sim, pois há aqueles(as) que preferem se deslocar para a agência.

 

Para os que trabalham remotamente (e se a agência permite), foi perguntado como é o rendimento do designer trabalhando dessa forma

Para os que trabalham remotamente, foi perguntado como é o rendimento do designer

Vamos aos dados:

42,9% – Conseguem trabalhar o suficiente (de maneira remota), mas possuem dificuldade de concentração.

38,6% – Preferem, pois o trabalho rende mais remotamente do que na agência e sabem se organizar.

11,4% – Ruim, pois não são organizados o suficiente para essa forma de trabalho e se distraem muito facilmente.

7,1% – Outras respostas*:

“Gostaria de me deslocar para outros espaços na agência.”

“No trabalho remoto não há feedback da equipe.”

“Depende do projeto. Para alguns, a troca de informações é necessária.”

*OBS: Poderiam acrescentar opções mais apropriadas.

toque na imagem para fazer o download do material desta pesquisa em pdf


Considerações

Esta pesquisa mostrou a realidade atual de como algumas agências não pensam no design como estratégianão valorizam os profissionais de design. Método de trabalho ultrapassado, regras muito rígidas, salário baixo, falta de feedbacks, infraestrutura inadequada, desconhecimento do processo de design por parte dos gestores e demais membros da equipe e briefings (sempre ele!) mal elaborados foram as queixas com maior porcentagem. A pergunta é: Será que os gestores dessas agências não percebem que há algo errado ou sabem disso mas preferem fazer vista grossa pois pensam apenas nos resultados?

Não pensar no design como estratégia hoje em dia é um tiro no pé para qualquer agência. Agência que não promove testes de produtos e testes com usuários vai colecionar fracassos sempre, ou então, será sempre uma agência sem futuro criando projetos pequenos para clientes pequenos. Será uma agência fast-food (faz-entrega-faz-entrega!).

Para os gestores, isso pode parecer satisfatório se eles conseguirem pagar as contas e os salários dos colaboradores (e retirar o deles!). Gestores com essas características não se preocupam em motivar os colaboradores e não investem em conhecimento para os designers. Quem trabalha com criação, merece um ambiente adequado para que a criatividade flua. Você reconhece de cara uma agência não se preocupa com a equipe de design, quando as máquinas, mesas e cadeiras são inadequadas para um profissional que passa a maioria do tempo sentado em frente à máquina.

Em relação ao método de trabalho, os outros membros da equipe não são obrigados a saber tudo sobre design, mas devem conhecer o mínimo para entender o processo e, com isso, não pedirem entregas em prazos desumanos. Por isso a importância de inserir o design na estratégia, pois um profissional de design estará presente desde o início do projeto, compartilhando conhecimento do método de trabalho e trocando ideias com outros membros da equipe.

Muita coisa tem que melhorar. Tenho certeza que existem muitas agências já estão alcançando a maturidade em relação ao design, mas o caminho ainda é longo. Os profissionais de design estão se atualizando e por isso se incomodam com a desvalorização nas agências. Por essa razão, muitos deles preferem trabalhar como freelancer, pois escolhem a forma que desejam trabalhar. Outros abrem suas próprias agências, com foco na maturidade em design. Tenho muita esperança de que essa galera seja a “salvação” que fará o nível das agências subir, principalmente na forma de enxergar o design.

Vamos pensar no design com mais carinho em 2019, vamos? Nós amamos o que fazemos e só queremos um pouco mais de reconhecimento. Deixa a gente trabalhar e surpreendam-se!

Um excelente Ano Novo para todos! Beijo grande!

Cya!