Do clique ao scroll infinito. A psicologia por trás deste padrão de design

Olá, pessoas. Tudo bem com vocês? Espero sinceramente que sim!

Há alguns anos, tudo era clique. Hoje, todos estamos fazendo scroll. Twitter, Pinterest, Facebook, Instagram e Medium – parece que todos estão adotando o padrão de rolagem infinita (Infinite Scroll). Mas o que há de mágico nesse padrão de design que faz com que tantas empresas o usem em seus produtos digitais?

 

 

Não faz muito tempo, os usuários eram obrigados a recarregar páginas para avançar de um conteúdo para o próximo. Os designers eram aconselhados a evitar criar sites com informações “abaixo da dobra”, a parte da página abaixo do que é exibido na tela. Com a adoção crescente de telefones e tablets, o gesto de rolar a página tornou-se padrão. Hoje, os designers estão abandonando o clique e optando pelo scroll infinito por uma simples razão: funciona!

 

Fonte: Semrush

 

A busca infinita, psicologia e design

O scroll infinito é a resposta do design de interação ao nosso gosto por procurar incessantemente por novidade. Certamente, há razões técnicas para a crescente onipresença do scroll. O surgimento de conteúdo dinâmico, como um novo comentário entrando no feed, exigiu uma solução melhor do que paginação voltada para conteúdo estático. Mas entender por que o scroll funciona tão bem requer uma breve viagem dentro da mente e no tempo.

Nossos cérebros evoluíram ao longo dos milênios e se tornaram incríveis máquinas de previsão, projetadas para nos ajudar a entender nosso ambiente. Nossa espécie se beneficiou de nossa capacidade de tomar boas decisões com base no que sabemos que provavelmente acontecerá no futuro. Para fazer previsões corretas, o cérebro acessa as memórias, o que nos permite deduzir o que está por vir em um processo quase instantâneo de reconhecimento de padrões. A capacidade de aprender é simplesmente o condicionamento do cérebro para reconhecer a causa e o…

 

Tenho certeza que você estava esperando pela palavra “efeito”, não é? Isso acontece porque seu cérebro aprendeu que as palavras, “causa” e “efeito”, tendem a andar juntas.

 

É esse condicionamento que cria atalhos e hábitos cognitivos, permitindo que processemos grandes quantidades de informações de uma só vez. Nosso cérebro transfere padrões causais conhecidos para o armazenamento de longo prazo para que nossa atenção possa ser dedicada ao aprendizado de coisas novas.

 

 

Nada prende mais nossa atenção do que o desconhecido

Todas as coisas que nos cativam, absorvem e entretêm têm um elemento de surpresa. Nossos cérebros não se cansam de tentar prever o que virá a seguir e nosso sistema de dopamina entra em alta velocidade quando esperamos para saber se nosso time fará o gol ou como um filme terminará. Como uma máquina caça-níqueis, o scroll infinito oferece aos usuários acesso rápido a recompensas variáveis.

É interessante notar que nosso cérebro não está programado para buscar apenas o prazer. De fato, grande parte de nossa motivação vem do alívio da dor do desejo. Os níveis de dopamina aumentam quando estamos prestes a encontrar a recompensa e caem depois de recebê-la.

 

Uma vez que começa…

Poucos outros métodos de exibição de informações geram a curiosidade de ver o que vem a seguir como o scroll infinito. Assim como o café e o chocolate, o scroll infinito combina particularmente bem com outro padrão de design cada vez mais usado, o masonry grid (grid de alvenaria), que ficou famoso no Pinterest.

 

O Masonry Grid (Grid de Alvenaria) é quando itens de tamanhos variados são dispostos para que não haja lacunas irregulares. Normalmente, quando os itens estão em uma visualização em grade, eles são alinhados em linha, coluna ou ambos. Mas em um layout de alvenaria, mesmo que haja um elemento mais curto em uma linha ou coluna, o próximo elemento ocupará o espaço.Hackernoon.

 

Cliff Kuang, editor da Co.Design, escreveu “… o grid do Pinterest força o olho a ziguezaguear pelo conteúdo, diminuindo a velocidade da rolagem, mas colocando mais imagens na tela em qualquer ponto”.

A enxurrada de conteúdo atraente acelera os usuários, incentivando-os a fazer scroll, enquanto o grid os torna mais lentos, retendo sua atenção e moderando sua sede por mais e mais estímulos. A tensão visual é hipnotizante e envolvente. Você duvida? Desafio você a ir até a página inicial do Pinterest e não se sentir tentado a rolar a página apenas uma vez. É como abrir uma lata de Pringles!

 

O Masonry Grid do Pinterest

 

Para dispositivos móveis e vice-versa

O scroll infinito beneficiou as interfaces móveis e da Web, pois os designers aproveitaram a oportunidade para criar experiências consistentes em ambas as versões de seus produtos. Depois que os usuários aprendem a usar um produto, eles formam hábitos relacionados às suas expectativas de como o serviço funciona. É nesse ponto que o design se torna uma vantagem competitiva, pois os usuários acham difícil mudar para o produto de um concorrente porque ele “parece estranho”, mesmo que funcione tão bem.

Atualmente, as restrições da experiência móvel influenciam o design de sites acessados em telas maiores. A criação de uma interface otimizada para dispositivos móveis e a transferência dessas decisões de interface para o desktop fazem todo o sentido, dadas as projeções de que os dispositivos móveis estão se tornando a principal forma de acesso à Internet.

 

Scroll Infinito e o vício na internet

 

Obviamente, o scroll infinito não é perfeito para todos os cenários mas, o uso constante do smartphone, a capacidade de carregar conteúdo dinâmico e as características de formação de hábito nos levam a crer que todos nós iremos fazer muito mais scrolling do que já é feito atualmente.

Mas atenção: há estudos que mostram o scroll infinito como um fator viciante, especialmente para usuários do TikTok, tanto que a União Européia quer proibir o scroll infinito no Instagram e TikTok. Inclusive, uma resolução já foi aprovada que apela para a ética no design na criação de produtos digitais.

 

Isso é um tema que requer muita discussão e devemos estar atentos para que possamos criar produtos com boa experiência, éticos e responsáveis.

Até o próximo artigo!

 

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